O que é jejunite?
O jejuno é o segmento intermediário do intestino delgado, situado entre o duodeno e o íleo. Nele ocorre a maior parte da absorção de nutrientes, aminoácidos, ácidos graxos, vitaminas lipossolúveis e minerais. A jejunite é a inflamação dessa região, que compromete a capacidade absortiva e a integridade da barreira intestinal, permitindo a passagem de toxinas e microrganismos para a circulação.
A condição pode ser aguda — com início súbito, geralmente infeccioso ou alimentar — ou crônica, quando associada a doenças inflamatórias intestinais como a enteropatia inflamatória (IBD) ou à linfangiectasia intestinal. O diagnóstico da causa subjacente é fundamental para orientar o tratamento específico.
Causas e tipos
As causas mais comuns em animais domésticos incluem infecções por parvovirose, coronavírus entérico, Salmonella, Campylobacter e Clostridium; parasitoses por Giardia, Cryptosporidium e strongilídeos; intolerância ou alergia alimentar; doença inflamatória intestinal (IBD); linfoma intestinal e efeitos adversos de anti-inflamatórios não esteroidais.
- Infecciosa: viral (parvovírus), bacteriana (Salmonella, Campylobacter)
- Parasitária: Giardia, Cryptosporidium, helmintos
- Imunomediada: enteropatia inflamatória (IBD)
- Nutricional: intolerância proteica, dieta desequilibrada
- Neoplásica: linfoma de pequenas células intestinais
Sintomas
A diarreia é o sinal cardinal, podendo ser aquosa, pastosa ou com presença de sangue e muco. Nas formas agudas infecciosas, a diarreia pode ser profusa e hemorrágica, associada a vômitos, letargia e desidratação graves. Nas formas crônicas de origem inflamatória ou neoplásica, a diarreia é intermitente com perda de peso progressiva, hipoalbuminemia e edema periférico por má absorção proteica.
A dor abdominal manifesta-se como postura encurvada, relutância em ser tocado na barriga e desconforto ao movimento. Em animais jovens, a diarreia crônica causa atraso no desenvolvimento e comprometimento do sistema imunológico.
Diagnóstico
O diagnóstico inclui exame coproparasitológico para pesquisa de parasitas e antígenos de Giardia, culturas de fezes para bactérias patogênicas, hemograma, bioquímica sérica com albumina e proteínas totais, ultrassonografia abdominal para avaliação da espessura e ecogenicidade da parede intestinal e de linfonodos mesentéricos. Em casos crônicos refratários, a endoscopia com biópsia intestinal é indispensável para diferenciação entre IBD, linfoma e outras enteropatias.
O dosagem de cobalamina (B12) e folato séricos é útil para avaliar a capacidade absortiva do jejuno e do íleo.
Tratamento
O tratamento é direcionado à causa identificada. Parasitoses são tratadas com antiparasitários específicos (metronidazol para Giardia, fenbendazol para helmintos). Infecções bacterianas recebem antibioticoterapia. A IBD responde a dietas de hidrolisado proteico e, quando necessário, imunossupressores como prednisolona e ciclosporina. A suplementação de cobalamina é indicada quando sua deficiência é identificada.
Nas fases agudas, fluidoterapia, antieméticos e dieta hidrolisada ou altamente digestível por 4 a 6 semanas são o suporte padrão. Probióticos veterinários auxiliam na restauração da microbiota intestinal.
Prevenção
Vacinação em dia contra parvovírus e coronavírus entérico, controle regular de parasitas intestinais, higiene do ambiente e dos utensílios de alimentação, e alimentação com dieta de qualidade e sem mudanças abruptas são as principais medidas preventivas. Animais com histórico de jejunite recorrente devem ter acompanhamento gastroenterológico regular.