O que é urticária em animais?
Urticária é uma reação de hipersensibilidade imediata (tipo I) caracterizada pelo surgimento rápido de inchaços pruriginosos na pele — as urticas — que aparecem e desaparecem em minutos a horas. São causadas pela degranulação dos mastócitos, que liberam histamina, serotonina e outros mediadores que aumentam a permeabilidade vascular e causam edema localizado na derme.
Em cães, a urticária se manifesta frequentemente como "casca de laranja" no pelo — o animal apresenta múltiplos nódulos elevados que deformam a superfície cutânea. Em gatos, os sinais podem ser mais sutis. A reação pode ocorrer em minutos após o contato com o alérgeno ou até horas depois, e sua intensidade varia de discreta a potencialmente fatal.
Causas e tipos
As picadas e ferroadas de insetos (abelhas, vespas, formigas, mosquitos) são causas muito comuns, especialmente no ambiente externo. Reações a vacinas, medicamentos injetáveis (penicilina, sulfa) e alimentos (proteínas novas introduzidas na dieta) também figuram entre as causas frequentes. O contato com plantas urticantes, látex ou produtos tópicos pode desencadear urticária de contato.
- Picada ou ferroada de insetos: abelha, vespa, formiga
- Reação vacinal: especialmente vacinas polivalentes
- Medicamentos: antibióticos, anti-inflamatórios, contrastes
- Alimentos: proteínas novas, frutos do mar, aditivos
- Contato: plantas urticantes, látex, produtos químicos tópicos
Sintomas
O sinal clínico mais característico é o surgimento súbito de placas ou nódulos edematosos e pruriginosos na pele, que podem aparecer em qualquer parte do corpo mas são mais evidentes na face, pescoço, ventre e membros. Em cães de pelo curto, as urticas são facilmente visíveis como inchaços rosados; em animais de pelo longo, percebe-se melhor ao palpar a pele.
O animal apresenta prurido intenso, pode esfregar o focinho no chão ou nas paredes, espirrar excessivamente (se há envolvimento das mucosas nasais) e demonstrar agitação. Quando a reação progride para angioedema, observa-se inchaço acentuado de focinho, pálpebras e lábios. Sintomas sistêmicos de anafilaxia incluem vômito, diarreia, dificuldade respiratória, colapso e choque.
Diagnóstico
O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado no histórico (exposição recente a um possível alérgeno) e no aspecto típico das lesões — inchaços que surgem e desaparecem rapidamente, migratórios e pruriginosos. A biopsia de pele raramente é necessária, mas pode confirmar o infiltrado de mastócitos quando o diagnóstico é incerto.
A investigação da causa subjacente inclui revisão dos medicamentos administrados recentemente, vacinas, alimentos introduzidos e histórico de exposição a insetos ou plantas. Em casos de urticária crônica recorrente, testes de eliminação alimentar e avaliação imunológica mais detalhada podem ser necessários.
Tratamento
Casos leves respondem bem a anti-histamínicos (difenidramina, cetirizina) e corticosteroides de curta duração para controle do prurido e da inflamação. O agente causador deve ser removido quando possível — retirar o ferrão da abelha, lavar a área de contato com água. O animal deve ser mantido em observação por pelo menos 30 a 60 minutos após o início do tratamento.
Angioedema com comprometimento das vias aéreas ou sinais de anafilaxia requerem administração imediata de adrenalina (epinefrina), fluidoterapia, oxigenioterapia e internação de emergência. Tutores de animais com histórico de reações graves devem ser orientados a manter adrenalina disponível para uso emergencial sob orientação veterinária.
Prevenção
Identificar e evitar o alérgeno desencadeante é a medida mais eficaz. Em animais que já reagiram a vacinas específicas, pré-tratar com anti-histamínico antes da vacinação e manter o animal em observação por 30 minutos após a aplicação. Evitar ambientes com alta concentração de insetos voadores e usar repelentes aprovados para uso veterinário quando necessário. Consultar o veterinário antes de introduzir novos alimentos ou medicamentos em pets com histórico alérgico.