O que é feocromocitoma?
Feocromocitoma é uma neoplasia originária das células cromafins da medula suprarrenal, estrutura responsável pela produção de catecolaminas em condições de estresse. O tumor produz catecolaminas de forma autônoma e desregulada, gerando picos hipertensivos graves que podem causar emergências cardiovasculares.
É considerado um tumor funcionante pois seus efeitos são decorrentes dos hormônios que secreta. Em cães, pode se apresentar como massa adrenal unilateral ou, raramente, bilateral. Metástases para fígado, linfonodos e pulmões ocorrem em cerca de 50% dos casos.
Causas e tipos
A causa exata do feocromocitoma não é totalmente elucidada em medicina veterinária. Mutações genéticas em genes supressores de tumor são investigadas. A doença é mais comum em cães de grande porte com mais de 10 anos. Não há predisposição racial clara estabelecida.
- Feocromocitoma benigno: restrito à glândula adrenal
- Feocromocitoma maligno: com invasão local ou metástases
- Paraganglioma: tumor similar originado fora da adrenal
- Feocromocitoma bilateral: raro, pior prognóstico
Sintomas
Os sinais são frequentemente episódicos e se correlacionam com picos de liberação de catecolaminas: fraqueza súbita, colapso, taquicardia, respiração acelerada, agitação, tremores, vômitos, episódios de cegueira transitória e distensão abdominal. Entre as crises, o animal pode parecer normal.
Hipertensão arterial persistente ou paroxística é a alteração mais consistente. Danos a órgãos-alvo como coração (hipertrofia ventricular), rins e olhos (descolamento de retina) podem ocorrer progressivamente.
Diagnóstico
O diagnóstico é fundamentado na detecção de massa adrenal à ultrassonografia abdominal, associada a hipertensão arterial e achados laboratoriais. A dosagem de catecolaminas e seus metabólitos (ácido vanilmandélico, metanefrinas) na urina ou plasma confirma a hipersecreção hormonal, quando disponível.
Tomografia computadorizada é essencial para avaliar extensão local, invasão vascular (especialmente veia cava caudal) e metástases — informações cruciais para o planejamento cirúrgico.
Tratamento
O tratamento curativo é a adrenalectomia. O preparo pré-operatório inclui bloqueio alfa-adrenérgico (fenoxibenzamina) por 2 a 3 semanas para estabilizar a pressão arterial e prevenir crises hipertensivas intraoperatórias. A cirurgia é tecnicamente complexa pelo risco de hemorragia maciça e instabilidade cardiovascular.
Casos inoperáveis são manejados com controle pressórico a longo prazo. O prognóstico varia: feocromocitomas benignos ressecados com sucesso têm bom prognóstico; casos com metástases têm sobrevida limitada.
Prevenção
Não há medidas preventivas específicas para feocromocitoma. A detecção precoce é favorecida por check-ups regulares em cães idosos, incluindo medição da pressão arterial e ultrassonografia abdominal anual. A identificação e tratamento da hipertensão podem evitar danos secundários aos órgãos-alvo antes do diagnóstico definitivo.